
As instituições, via de regra, são estruturalmente perfeitas. Mesmo aquelas de menor destaque na sociedade possuem sua necessária e justa função social, estando, de alguma maneira, a serviço do desenvolvimento e bem-estar do coletivo. No entanto, o fato de serem bem concebidas em sua criação não significa que possuam os mesmos predicados em seu funcionamento. Por trás de cada norma, há a presença humana que, inevitavelmente, pode demonstrar ou não coerência e capacidade intelectual no gerenciamento.
A inoperância de uma instituição específica interfere diretamente no funcionamento de outras, provocando uma sobrecarga ou desvio de função. Muitas vezes, torna-se inevitável esquivar-se de tarefas extras, e até injustas, quando a engrenagem social falha. A escola está entre as instituições que ocupam-se de cumprir funções que, na realidade, não seriam de seu ofício primordial, mas que se tornaram parte de sua rotina diária.
A escola atual passa por essa sobrecarga; encarrega-se de demandas que não deveriam ser suas, mas, por estar na linha de frente, atua para evitar problemas sociais ainda maiores caso não proponha soluções. Logicamente, a escola não é capaz de resolver todas as mazelas sociais sozinha, mas os problemas sociais passam por ela, que, de alguma maneira, os absorve e busca respostas.
Frequentemente, notam-se críticas infundadas sobre as instituições de ensino, estendendo-se às universidades federais, vez ou outra taxadas injustamente de irresponsáveis no âmbito ético-social. Muitos destes críticos, inclusive figuras de destaque social e do meio político, fazem questão de difamar as escolas e universidades públicas brasileiras. Curiosamente, observa-se que parentes desses mesmos críticos frequentemente tentam ingressar nessas instituições, falhando devido à reprovação nos processos seletivos. A difamação parece, portanto, ser uma estratégia para diminuir a concorrência e facilitar o acesso de familiares ao quadro de estudantes destas renomadas instituições.
Em suma, é preciso separar a estrutura ideal das instituições do seu funcionamento humano. A escola brasileira, em particular, precisa ser valorizada por sua função social adaptativa, e não difamada por interesses encobertos. Defender a educação pública é, acima de tudo, garantir o desenvolvimento coletivo contra a inoperância de outras instâncias.