Sexta, 18 de Setembro de 2026
19°C 24°C
Santa Maria de Itabira, MG
Publicidade

Mineração ilegal expõe fragilidade da fiscalização e acende alerta em Minas

Relatório da CGU aponta falhas graves da ANM no combate à exploração irregular; especialistas alertam para danos ambientais, perda de arrecadação e risco de minério ilegal entrar no mercado formal

Diego Jorge
Por: Diego Jorge
08/05/2026 às 09h18
Mineração ilegal expõe fragilidade da fiscalização e acende alerta em Minas
Redes Sociais

Um relatório divulgado pela Controladoria-Geral da União revelou falhas consideradas preocupantes na atuação da Agência Nacional de Mineração no combate à mineração ilegal no Brasil. Na quinta-feira (7/5), a auditoria mostrou que, em 2024, apenas 22% das áreas de exploração mineral clandestina identificadas pela própria agência receberam auto de paralisação com notificação dos responsáveis. O levantamento reacende um debate que incomoda tanto mineradoras irregulares quanto empresas que atuam dentro da legalidade: até que ponto o sistema atual consegue separar quem cumpre a lei de quem destrói áreas ambientais e movimenta minério de origem duvidosa?

Minas Gerais aparece no centro dessa discussão. O estado, historicamente ligado à mineração e fortemente dependente da atividade econômica do setor, registrou um número elevado de fiscalizações. Segundo a CGU, a meta da regional mineira da ANM era realizar dez ações contra lavras ilegais em 2024, mas foram executadas 63 operações. Ainda assim, o relatório aponta que a capacidade de resposta do poder público continua limitada diante da dimensão do problema.

A auditoria não acusa mineradoras legalizadas de irregularidades, mas deixa claro que a falta de controle eficiente abre brechas perigosas dentro da própria cadeia mineral brasileira. O documento afirma que a ausência de normas específicas para fiscalização de exportações facilita a entrada de minério ilegal no mercado formal, criando um cenário preocupante para empresas sérias que cumprem exigências ambientais, tributárias e trabalhistas.

Na prática, especialistas avaliam que a deficiência na fiscalização acaba prejudicando toda a imagem do setor mineral. Empresas legalizadas convivem com um ambiente de desconfiança pública enquanto grupos clandestinos avançam sobre áreas ambientais, cursos d’água e regiões de preservação, muitas vezes deixando rastros de degradação difíceis de recuperar.

O relatório também chama atenção para outro ponto sensível: a exploração mineral irregular não representa apenas dano ambiental. Ela também pode provocar perdas milionárias em arrecadação, royalties e compensações financeiras que deveriam retornar em investimentos para a população. Em cidades mineradoras, a discussão sobre o destino desses recursos cresce ano após ano, principalmente em municípios onde ainda existem problemas estruturais em saúde, infraestrutura, abastecimento e recuperação ambiental.

Outro trecho da auditoria mostra fragilidade no controle de bens apreendidos durante operações. Segundo a CGU, a ANM ainda utiliza planilhas manuais que não refletem totalmente a situação real dos equipamentos, materiais e processos administrativos ligados às fiscalizações. Para órgãos de controle, esse tipo de falha reduz transparência e dificulta o acompanhamento das ações públicas.

A Controladoria também criticou a baixa utilização de inteligência, cruzamento de dados e tecnologias de monitoramento remoto. Conforme o relatório, grande parte das fiscalizações ainda depende de denúncias, o que demonstra uma atuação considerada mais reativa do que preventiva.

O documento cita operações recentes em cidades mineiras como Belo Horizonte, Sabará e Nova Lima para reforçar que a mineração ilegal não está restrita apenas à Amazônia ou ao garimpo de ouro. O problema também alcança regiões tradicionais da mineração de ferro em Minas Gerais, estado que concentra algumas das maiores reservas minerais do país.

Ao final da auditoria, a CGU recomendou que a Agência Nacional de Mineração atualize normas internas, fortaleça o planejamento das operações, modernize os sistemas de controle e amplie a integração com órgãos estaduais e federais. Até o momento, a ANM ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o conteúdo do relatório.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Santa Maria de Itabira, MG
19°
Parcialmente nublado
Mín. 19° Máx. 24°
19° Sensação
0.76 km/h Vento
87% Umidade
3% (0mm) Chance chuva
05h45 Nascer do sol
17h47 Pôr do sol
Sábado
23° 16°
Domingo
28° 16°
Segunda
32° 16°
Terça
34° 17°
Quarta
33° 19°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,14 +0,03%
Euro
R$ 5,91 +0,02%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 443,201,90 +0,18%
Ibovespa
185,229,17 pts -0.41%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias