
A polêmica proposta relacionada à redução da maioridade penal mais uma vez volta a ser assunto no cenário político, principalmente por parte daqueles parlamentares que não conseguem ou não são capazes de implementar nenhum projeto de benefício amplo para a sociedade. Muitos desses políticos aproveitam-se de uma pauta que normalmente surge para uma discussão rasa, mas que, de alguma maneira, ganha destaque na mídia e nas redes sociais, funcionando como um trunfo que facilita a busca de votos para a eleição.
Temas controversos como este de fato movimentam a sociedade de maneira profunda, mesmo atingindo pessoas que não possuem conhecimento técnico sobre o assunto. O posicionamento do público é quase sempre favorável à redução, o que acontece provavelmente devido a fatores emocionais e também pela repetição de falas de cidadãos que estão na posição de formadores de opinião, mas que nem sempre são habilidosos no que diz respeito à exposição de argumentos norteadores e condizentes com a defesa do tema em foco.
A maioridade penal historicamente faz parte dos debates políticos, mas se torna mais evidente em anos eleitorais, principalmente no período que antecede as eleições de abrangência nacional. Os pleitos estaduais e federais são disputas que costumam ser menos acaloradas no convívio social direto, diferentemente das eleições municipais, nas quais o eleitor tem mais aproximação com o candidato durante a campanha e a pré-campanha. Por ser uma disputa mais distante em termos de contato físico diário, cria-se a oportunidade para o concorrente se posicionar de maneira superficial e, mesmo assim, ver seu discurso surtir efeito a seu favor.
Por fim, é função do político criar estratégias em prol do desenvolvimento e do bem-estar social, especialmente daqueles que ocupam cargos com a prerrogativa de construir e implementar leis. Discutir sobre a maioridade penal é, sim, necessário, mas é justo também exigirmos a capacidade de fazer essa abordagem sem pretexto eleitoral. Nesse sentido, coerente seria que esses cargos de excelência fossem ocupados por pessoas preparadas e talentosas, comprometidas com a nobreza da função, e não por personagens que se aproveitam da ingenuidade do povo para se instalar no poder.