
Uma gestante de 29 anos e o bebê que ela esperava morreram entre a noite de segunda-feira (8/6) e a manhã de terça-feira (9/6), em Três Marias, na região Central de Minas Gerais. O caso levou à prisão em flagrante de um médico obstetra e está sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
De acordo com as informações divulgadas pela polícia, a mulher, que estava com aproximadamente 30 semanas de gestação, deu entrada em uma unidade hospitalar do município por volta das 20h30 da segunda-feira, apresentando quadro de pico hipertensivo. Apesar do atendimento prestado, seu estado de saúde se agravou durante a madrugada.
A morte da paciente foi declarada às 5h45 da manhã de terça-feira. Em razão do óbito da gestante, o bebê que ela esperava também não resistiu.
Segundo a Polícia Civil, as investigações preliminares apontam indícios de possível demora no comparecimento do médico plantonista à unidade de saúde, bem como questionamentos sobre o tempo de avaliação da paciente e a adoção de medidas consideradas adequadas para o quadro clínico apresentado.
Relatos colhidos pelos investigadores junto a profissionais da unidade hospitalar indicam que o obstetra teria chegado ao local somente após uma segunda parada cardiorrespiratória da paciente. A informação, entretanto, ainda integra o conjunto de elementos que estão sendo analisados pela polícia.
Outro ponto apurado no inquérito é a não realização de um procedimento cesariano durante o atendimento. As circunstâncias que envolveram a condução médica do caso serão submetidas à análise técnica e pericial no decorrer das investigações.
A Polícia Civil informou que reuniu documentos, depoimentos e imagens relacionadas ao atendimento prestado à gestante. Com base nos elementos inicialmente levantados e diante da constatação de que o médico não estaria presente na unidade durante parte do período em que a paciente permaneceu internada, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar localizaram o profissional e efetuaram sua prisão.
Após análise preliminar dos fatos, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante pela suposta prática de dois homicídios, relacionados às mortes da gestante e do bebê.
As investigações prosseguem com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias do atendimento médico, bem como eventual responsabilidade criminal dos envolvidos. O caso deverá contar ainda com a análise de laudos periciais, prontuários médicos e demais elementos técnicos considerados relevantes para a apuração.
A legislação brasileira garante ao investigado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Até o momento da publicação desta reportagem, não havia sido localizada manifestação pública da defesa do médico sobre os fatos investigados.
Espaço aberto para manifestação
O portal mantém este espaço à disposição do médico citado na ocorrência, de seus representantes legais e da unidade hospitalar envolvida para apresentação de esclarecimentos, posicionamentos ou informações complementares que considerarem pertinentes. Caso haja manifestação, esta reportagem poderá ser atualizada.