
A mãe da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que a filha vivia um relacionamento que considerava abusivo com o marido, o 3º sargento da PM Eduardo, preso no âmbito das investigações sobre a morte da oficial. As declarações constam no boletim de ocorrência e integram o conjunto de informações que está sendo apurado pelas autoridades.
Segundo o depoimento, a mãe descreveu um histórico de suposto controle psicológico, manipulação emocional, humilhações e comportamento obsessivo atribuídos ao militar. Ainda conforme seu relato, o sargento exerceria forte influência sobre Michele, que, de acordo com a testemunha, costumava atender prontamente às determinações do companheiro.
A testemunha informou que tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, 20 de julho, data em que a capitã deu entrada sem vida no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. No entanto, por volta das 10h05, recebeu uma ligação de Michele, que falou em voz baixa e informou apenas que não poderia comparecer. A mãe afirmou ainda que enviou diversas mensagens ao longo do dia, mas não recebeu resposta.
Em depoimento, a mãe também declarou que passou a suspeitar do uso de drogas pela filha apenas após o início do relacionamento com o sargento, acreditando que o comportamento teria sido influenciado pelo companheiro. Apesar disso, ressaltou que Michele nunca lhe relatou diretamente ter sofrido agressões físicas ou ameaças.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, a mãe afirmou ter sido informada pela outra filha de que Michele classificava o marido como uma pessoa narcisista e dizia tentar encerrar o relacionamento, sem sucesso, porque ele não aceitava a separação. A testemunha também relatou que teria tomado conhecimento de um episódio em que o sargento teria empunhado uma faca durante uma discussão.
Segundo o depoimento, o relacionamento foi marcado por sucessivas separações e reconciliações ao longo de aproximadamente sete a oito anos. A mãe afirmou ainda que o sargento costumava diminuir a autoestima da capitã com ofensas e humilhações, além de adotar comportamentos que ela classificou como insistentes, controladores e obsessivos. Entre os episódios citados está o fato de o militar, segundo a testemunha, ter permanecido em frente à residência da família após uma discussão do casal, aguardando Michele por um longo período.
O caso ganhou repercussão após Michele Leão Azevedo dar entrada sem vida no Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20 de julho). Conforme o boletim de ocorrência, a equipe médica identificou traumatismo craniano, um ferimento de grandes dimensões na testa, hematomas e outras lesões pelo corpo, circunstâncias que motivaram o acionamento da Polícia Militar.
A Polícia Civil realizou perícia no hospital e na residência do casal. Um cabo de madeira quebrado foi apreendido para análise, e os exames do Instituto Médico-Legal (IML) deverão contribuir para esclarecer a causa da morte e a dinâmica dos fatos.
O sargento permanece preso enquanto o caso é investigado. As declarações prestadas pelas testemunhas e pelo investigado serão confrontadas com os laudos periciais e demais elementos de prova. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a responsabilidade criminal no caso, sendo assegurados ao investigado o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.
Esta reportagem está em atualização e poderá receber novas informações à medida que as autoridades divulgarem novos detalhes sobre a investigação.
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