
Dois dos quatro acusados de envolvimento na morte do advogado Juliano César Gomes, de 37 anos, serão julgados nesta quinta-feira (29), em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais. Segundo a denúncia, a vítima foi assassinada por queima de arquivo.
Desta vez, será realizado o júri popular de Jean Fagundes Néris e Júnio Marcos Fagundes Néris. Os irmãos são apontados como executores do crime.
O advogado foi assassinado no ano passado. Ele desapareceu em 21 de maio, e o corpo só foi encontrado no dia 8 de junho em uma estrada que liga Funilândia a Sete Lagoas.
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os irmãos Néris agiram a mando do advogado Thiago Fonseca de Carvalho, que era amigo da vítima e teria planejado o assassinato. Ele está preso em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, segundo a defesa.

A expectativa do advogado da família de Juliano, Eugênio Barroso, é que os réus sejam condenados nesta quinta. “Eles confessaram o crime na delegacia, inclusive acompanhados de advogado, indicaram o corpo e há provas no processo de que eles foram executores”, disse.
Juliano era solteiro e morava com o irmão e com a mãe em Belo Horizonte. O advogado atuava na área trabalhista e era sócio de Eugênio Barroso.
“Eu conheço o Juliano desde que nasci. A gente é do interior de Minas, de Itamarandiba. Moramos lá até os 15 anos e depois viemos juntos para Belo Horizonte para estudar. Era uma das melhores pessoas que já conheci. Extremamente alegre, brincalhão. Compromissado com a família. Extremamente religioso”, contou.
O crime
De acordo com a denúncia, o crime foi planejado dias antes pelo advogado Thiago. Juliano havia sido indicado como testemunha de defesa em um processo no qual o advogado é acusado de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas disse, logo após ser intimado, que "não mentiria e falaria apenas a verdade".
Segundo Barroso, quando Juliano foi intimado a depor, ficou receoso. “Mas de fato ninguém sabe responder o que o Juliano sabia”, disse.
Ainda segundo o MPMG, para atrair a vítima, Thiago simulou que precisaria pegar emprestada a picape de Juliano. Ao chegar ao local do encontro, a vítima foi rendida pelos dois irmãos, teve os bens roubados e depois foi executada.
Jean e Júnio, que estão presos em Sete Lagoas, respondem pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e ainda pelo roubo do cartão e do celular da vítima.
O pai deles, Marcos Antônio Alves Néris, também é réu no processo. Ele é acusado de ocultação de cadáver e resistência à prisão. A defesa dele nega envolvimento com o crime.
Assim como Thiago, Marcos Antônio questionou a decisão que determinou o julgamento em júri popular. Por isso, eles tiveram os processos desmembrados. Segundo os advogados, os recursos ainda não foram analisados.
Na ação, a defesa de Thiago também nega partição no assassinato. De acordo com o advogado Filipe Oliveira de Melo, "não há elementos suficientes para ele fosse mandado a júri". A defesa ainda questiona procedimentos da fase de investigação.