
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Polícia Civil deflagraram na manhã desta terça-feira uma operação com o objetivo de combater a denominada “rachadinha” — quando um parlamentar monta um esquema em que funcionários do gabinete são obrigados a devolver parte do salário recebido todo mês — na Câmara Municipal de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, além de apurar a influência de vereadores na destinação de cargos públicos e apurar fraudes a processos licitatórios no Poder Legislativo e Executivo no município. A lavagem de valores decorrentes das práticas criminosas também está sendo investigada.
Um vereador investigado e o chefe de gabinete dele são alvos de mandados de prisão. Também são cumpridos treze mandados de buscas e apreensões na casa e no gabinete do vereador investigado, na residência do chefe de gabinete e de outros agentes públicos envolvidos, na residência de um empresário do ramo da construção e na sede da empresa.
A operação está sendo conduzida pela 4ª Promotoria de Justiça de Nova Lima, Gaeco, GEPP, Central de Apoio Técnico do MPMG (Ceat), Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e policiais civis do GCOC, Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) e do Grupo de Apoio Operacional Policial (GOP). Participam da operação três promotores de Justiça e 58 policiais civis.
As investigações apontaram a existência de indícios de que ao menos um vereador de Nova Lima recebeu valores provenientes dos salários de assessores parlamentares, esquema conhecido como rachadinha, agindo, para a execução dos atos ilícitos, com o auxílio do seu chefe de gabinete e outros integrantes de seu staff.
Além dessa prática criminosa, as investigações apontaram a estreita relação entre o vereador e um empresário de Nova Lima, cuja empresa firmou contratos com o município, existindo indícios da influência do membro do Poder Legislativo para a contratação da pessoa jurídica pelo Poder Público. Também há indícios do “loteamento” de cargos no Poder Executivo para atender as indicações de vereadores.
Os trabalhos desta terça-feira são o desdobramento da operação “Contrato Leonino”, deflagrada em dezembro de 2020 pela Polícia Civil