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Madalena, resgatada de situação análoga à escravidão em MG, comemora um ano livre: 'Liberdade, liberdade'

Através de publicações nas redes sociais, ela comemorou o período e também agradeceu quem a ajudou. Diarista viveu em Patos de Minas por 38 anos como empregada de duas famílias, sem registro ou salário mínimo garantido.

Diego Jorge
Por: Diego Jorge Fonte: g1
27/11/2021 às 20h00 Atualizada em 27/11/2021 às 22h46
Madalena, resgatada de situação análoga à escravidão em MG, comemora um ano livre: 'Liberdade, liberdade'

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“Liberdade, liberdade". É através da letra do samba de Dominguinhos do Estácio, que Madalena Gordiano comemorou um ano de liberdade neste sábado (27), após viver 38 em condições análogas à escravidão em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba.

A mulher foi resgatada no dia 27 de novembro de 2020, na casa da família Milagres Rigueira, onde trabalhou desde os 8 anos como diarista, sem registros e outros direitos. De lá para cá, se transformou no rosto mais conhecido da luta contra o trabalho escravo doméstico no Brasil.

Através de uma publicação em rede social, Madalena comemorou a data de um ano do resgate.

“Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós... 1 ano pós resgate... 1 ano de libertação! Obrigada universo por sorrir pra mim! Estou de braços abertos para o mundo, curiosa e atenta”, ponderou.

Agradecimentos

Em outras postagens Madalena ainda agradeceu três pessoas que estiveram com ela após a liberdade: a advogada Márcia Leonora, o auditor-fiscal do trabalho Humberto Camasmie e a assistente social Taís Teofilo.

Para Márcia, Madalena diz que "ela é mais que uma mão estendida, mais que um belo sorriso, mais do que a alegria de dividir, mais do que sonhar os mesmos sonhos, mais do que doer e sentir, se colocando no meu lugar e tomando assim minhas dores pra si", explicou.

A Humberto, a mensagem é que “a vida me sorriu quando você me libertou. Sua amizade se compôs através da cumplicidade, simplicidade, bondade, solidariedade. Sua amizade trouxe muitas cores pra minha vida! Você me faz acreditar que realmente a vida vale a pena! Obrigada por me fazer entender que existo e que mereço todas as experiências felizes que estou vivenciando a cada dia de minha nova vida”.

Já para a assistente social, Madalena reforçou que ela “sempre segura em minha mão e diz que vai ficar tudo bem, está sempre ao meu lado nas horas confusas e também felizes. Me ensinando sempre como caminhar. Se traduziu em carinho e respeito, você é a vida chegando aberta em pétalas de amor”.

História de vida

Madalena Gordiano contou ao Fantástico como chegou até a família. Com 8 anos, ela bateu na porta da casa da professora Maria das Graças Milagres Rigueira para pedir comida.

"Fui lá pedir um pão, pois eu estava com fome, ela falou que não me dava se eu não morasse com ela", explicou.

A moradora de Patos de Minas que se ofereceu para adotá-la e a mãe de Madalena, que tinha 9 filhos, concordou, mas a adoção nunca foi formalizada. A diarista explicou que, quando chegou à casa nova, deixou a escola.

"Ajudava a arrumar a casa, cozinhar, lavar banheiro, passar pano na casa. Não brincava, não tinha nem uma boneca", falou Madalena na época do resgate.

Depois de 24 anos, a diarista foi trabalhar para o filho de Maria das Graças, o professor Dalton César Milagres Rigueira, onde vivia nas mesmas condições e de onde foi resgatada.

Vida nova

O caso dela repercutiu na imprensa do mundo todo. Depois que a história de Madalena foi divulgada, só nos primeiros 6 meses deste ano, 15 trabalhadoras foram libertadas, conforme apuração do Fantástico.

Após ser libertada, ela tem experimentado diversas sensações, que nunca tinha vivido anteriormente. Foi para a praia pela primeira vez e até retomou os estudos. Os cabelos viraram símbolo de uma vaidade, que havia sido reprimida por quase quatro décadas.

“Nunca fui feliz assim. Antes eu era triste. Muito triste. Hoje eu sinto que estou bem. Coração limpo. Estou libertada. Estou livre”, contou ela ao Fantástico em julho de 2021.

Em julho de 2021, também foi feito um acordo em relação aos termos trabalhistas entre ela e Dalton Rigueira. No dia 22 deste mês, Madalena também foi homenageada na Câmara Municipal de Uberlândia com a Comenda Zumbi dos Palmares, entregue a pessoas que tiveram destaque em ações contra a discriminação racial.

Veja como Madalena Gordiano está bem; 

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